quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Memórias de uma Gueixa


Há muito tempo que um filme não me tocava a pele e os sentidos. Há em mim um fascínio pela cultura japonesa comparativo ao meu desejo pela chuva e ao cheiro do jasmim.
Assiste-se a uma simplicidade, fora do comum, de gestos e olhares indiscretos acariciados por sorrisos deslumbrantemente tímidos. A elegância e a voluptuosidade integram esta narrativa contemplando a seda que cobre a mulher, tingida de pó de arroz e sonhos secretos.
A palavra Gueixa significa artista, ao contrário do que se possa pensar, ela não vende o seu corpo mas a sua companhia e arte. Quando li a "Terra de Neve" do Kawabata, Komako, a gueixa protagonista da história estava nos entremeios e nunca se chega a perceber até que ponto ela infrige as regras. As gueixas não têm permissão para sentir nem para amar. A beleza, agonia, sofrimento e vingança habitam lado a lado numa produção cuidada, um pouco erudita, até, e composta. É um simples passeio pelo tempo abraçado pelas cerejeiras em flor.
Numa época em que o Ocidente corrompe o amor, separa e monopoliza os costumes, acontece um entrecruzar de tempo a ruir...
Havia mais que um desejo e uns olhos que lacrimejam um corpo, era a concretização do momento em que tudo, a seu tempo, foi sobrevivendo e renascendo transformando as "preces" naquilo a que se chama felicidade.
A banda sonora compõe uma dramaticidade subtil e estupenda nos permeios de fotografias que coabitam os instantes de cada movimento, melodia, gestos e palavras...
*****
http://www.sonypictures.com/movies/memoirsofageisha/

8 Comentários:

Anonymous isabel disse...

depois desta descrição profunda do filme...tenho mesmo que ir ver
bébeu

8 de fevereiro de 2006 às 11:41  
Anonymous diabinho disse...

Olá maninha, está sublime, a forma como descreves o sentimento do filme... eu não faria melhor... :)

8 de fevereiro de 2006 às 11:56  
Anonymous malmequer disse...

Mais forte do que o desejo de ver o filme, foi a delícia de te ler. A tua forma de escrever é delicada e sensivelmente sublime. Um abraço quentinho.

8 de fevereiro de 2006 às 11:58  
Blogger apereira disse...

Humm... minha irmã, já tenho saudades desse abraço quentinho!!!*

8 de fevereiro de 2006 às 12:11  
Anonymous Anónimo disse...

a cultura da honra e do dever a cima de tudo ...
HappYCrickeT

8 de fevereiro de 2006 às 12:16  
Anonymous Rita Santos disse...

Oi prima!! olha de facto, estou bastante curiosa por ver o filme, tive a oportunidade de ler o livro e agradou-me! tou expectante por ver....ve la se convidas!! poixx.. beijinhos

8 de fevereiro de 2006 às 13:12  
Anonymous Jacarilo disse...

Omoshiroi, desu ne?

9 de fevereiro de 2006 às 12:54  
Blogger apereira disse...

pois, se eu tivesse ido para as aulas de japonês contigo saberia o que isso quer dizer... :-( mas ainda estou a tempo de me explicares?

9 de fevereiro de 2006 às 13:10  

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